Here comes a blanket

Eu sou uma pessoa egoísta e perfeccionista nas horas mais impróprias.

Dito isso, vamos ao caso da manta de retalhos.

A idéia me pareceu simpática quando eu encontrei o site Tricô Solidário: mantas de retalhos feitas com restos de lã, para aquecer velhinhos carentes. Se tem alguma coisa que desperta a caridade em mim são os velhinhos carentes.

Na época, o único tricô que eu fazia era no tear, e raramente temos sobras de lã nele. Quando eu aprendi o tricô tradicional, percebi que eu realmente não nasci pra essa coisa toda de passar meses contando pontos pra fazer uma linda blusa que, no final das contas, eu nunca vou usar. Mas eu gosto de tricotar, e é bem útil como passatempo.

Foi quando eu encontrei o blog de uma finlandesa que tricotou muitos quadradinhos que viraram muitas mantas. No álbum de foto delas existe todo estilo de mantas de retalho possível.

Foi quando eu decidi que queria uma pra mim. Mas uma totalmente diferente das mantas que ela fez! Ok, talvez a manta 105 seja simpática, mas todas as outras são muito desorganizadas pro meu gosto. Mas ela doou todas pra caridade e precisava de uma terapia enquanto passava por uma depressão feia – coisa bem diferente de uma pós-adolescente desocupada, a.k.a eu.

Um monte de quadrados aleatórios não é exatamente o meu estilo. Decidi começar com alguma coisa *organizada*, em tons de rosa, preto e branco. Talvez rosa e azul. Mas quem resiste a uma lã verde-limão? Eu não resisto.

Então seria uma manta de retalhos colorida, que eu usaria para treinar meu tricô, fazendo um quadradinho em cada estilo, com pontos e técnicas diferentes.

Com 4 quadradinhos eu percebi que ao fazer tricô/meia (e eu ainda não aprendi o nome disso) o trabalho enrola sozinho. Eu precisaria de alguma coisa reta pras pontas, como o quadrado perfeito ou crochê. Mas, adivinha só, o quadrado perfeito não é tão perfeito assim. O crochê da minha mãe é simpático.

Os quadradinhos da minha manta...
Os quadradinhos da minha manta…

Tricotando só em meia os quadradinhos ficaram muito mais molinhos, retos e todos iguais. E, adivinha só, eu resolvi não tricotar nada em preto, porque eu vou montar os quadradinhos num degradê de cores extremamente fresco.

... e os quadradinhos que eu vou doar!
… e os quadradinhos que eu vou doar!

Eu já tinha a idéia de fazer alguns quadradinhos pro tricô solidário, mas mais no final do ano… Porque não doar os quadradinhos que já estão prontos e continuar tricotando com as lãs preta e marrom que eu tenho aqui desde já?

Decididamente eu vou me sentir muito melhor quando olhar pros meus avós no sofá durante o inverno sabendo que algum idoso que não tem a mesma sorte que eles está mais quentinho com os meus quadradinhos.

* * *

Uma manta de retalhos do tamanho de uma cama de solteiro é, comercialmente falando, quase inviável. Pra minha cama eu vou precisar de 66 quadrados de 20x20cm. Cada novelo de lã Cril (de 40g e R$ 1,80) dá 2 quadrados. Mais o trabalho absurdo que isso dá, R$ 100 ainda é pouco pra alguma coisa do tipo.

Claro que fazer isso aos poucos, por distração e prazer, vale a pena. Mas fazer quadradinhos pro projeto (qualquer projeto do tipo, eu já fiquei sabendo de mais dois) é algo que dinheiro *nenhum* no mundo paga, sabe? Quando eu acabar, cada pedacinho de lã que sobrar vai virar quadradinhos, e se eu encontrar alguma roupa no armário que possa virar lã e eu não use mais, vou continuar tricotando pra ajudar quem precisa.

Sinceramente, minha vontade é somente de ajudar idosos carentes, a única categoria de seres humanos que me derrete.

E a minha manta vai ser devidamente fotografada de blogada a cada grande progresso.


   

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